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Regadio, Turismo e Energia: A revolução do Tejo

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Um novo Alqueva aproveitando toda a água desperdiçada do Tejo, regando o Oeste, a península de Setúbal, a região saloia, toda a Lezíria, Médio e Alto Tejo (incluindo Beira Baixa e Alto Alentejo) é o enorme projecto que, com nove açudes insufláveis no rio, prevê simultaneamente um grande eixo de desenvolvimento turístico com o Tejo navegável até Espanha, para além da produção de energia.


Uma das grandes vantagens é que o custo de arranque do projecto é baixo (apenas 120 milhões de euros) quando comparado com a mega-estrutura de Alqueva. E pode iniciar-se em qualquer dos pontos pré-definidos, porque é modular, como «uma construção de Lego», ou seja pode ir sendo executado por blocos até atingir a sua plenitude.
O custo do investimento estima-se em 3,5 a 4,5 mil milhões de euros (dependendo da totalidade das áreas abrangidas com um mínimo de 300 mil hectares de regadio) que viabilizam uma mudança radical no tecido económico e social de meio país, começando por estancar a hemorragia humana nestes territórios de baixa densidade, a exemplo do que sucedeu com Alqueva, onde actualmente o investimento privado já duplicou o investimento público.

O nosso jornal publicou há poucas semanas (ed.565 de 14Mar, pág.20) um artigo sobre este projecto, escrito por José (Zeca) Carmona, alertando para a sua importância para a nossa região, e também pelo seu empenho ocorreu esta apresentação em Gavião na quinta-feira, feita por dois dos mentores, Manuel Campilho (Lagoalva – Alpiarça) e por Jorge Froes, especialista em regadio e engenheiro hidráulico com vasto trabalho no Alqueva, noutros regadios em Portugal e noutros países, nomeadamente em África. Associados No núcleo duro do projecto surgem nomes como os de Carmona Rodrigues, Augusto Mateus, Francisco Avillez e muitos outros.

Sem barragens, apenas com um sistema do tipo de açudes insufláveis semelhante ao que existe em Abrantes e que "fazem uma escada no Tejo", é possível assegurar um caudal constante que permite regar o ano inteiro, represando a água e usando-a antes de se perder no mar, dando assim uma nova vida em termos de regadio a todos os territórios em redor do Tejo (numa cota possível de até 300 metros em termos de elevação da água, e rentável até aos 130 metros).
Paralelamente a produção de energia e a operação turística que permite operar embarcações até à dimensão dos cacilheiros, que "sobem" todos os açudes e também as barragens de Belver e do Fratel que possuem a infraestrutura para a construção de eclusas (com custos relativamente baixos porque estão previstas no projecto base), e depois a transposição da barragem de Cedillo através de um by-pass, ou seja uma canal pelas barragens de Altivo (em Vila Velha de Rodão) que esteve a arrancar há poucos anos, e a do Ponsul, que é imperioso construir por necessidade de abastecimento a Castelo Branco, permite a reentrada no Tejo e a navegabilidade até Alcântara, tornando real o sonho de Filipe II de navegar no Tejo de Lisboa a Toledo e depois até Madrid.
Outra das vantagens do empreendimento é trava a cunha salina no estuário do Tejo, evitando a formação de água salobra e protegendo os terrenos, e ainda o transporte de mercadorias via fluvial para os portos de Lisboa e eventualmente de Setúbal (e até de Sines), retirando trânsito pesado de Lisboa e diminuindo custos de transporte, como acontecia até meados século XX. O estudo de navegabilidade aponta para que os barcos possam acostar em Lisboa e/ou no Montijo, para além dos diversos pontos de atracagem ao longo de todo o rio.

Pisão entra na equação

Também o Pisão entra neste processo porque é, segundo os técnicos e como também sublinha Jorge Froes, imperiosa a sua construção, como estava previsto no Plano de Regas e Transvases do Plano de Fomento Nacional (da era marcelista do estado Novo), porque em menos de 50 anos será necessário fazer transvase do Tejo para o Guadiana, o que terá de ser efectuado por canal (ou conduta) até à barragem do Pisão (Crato), daqui para a de Caia (Campo Maior), e desta para o Guadiana.
Depois de já ter percorrido Ministérios, Comissões e Grupos Parlamentares, Comunidades Intermunicipais, associações de agricultores e de produtores, politécnicos, associação ambientalista ProTejo, EDP e outras entidades que operam em toda a bacia do Tejo. O Presidente da República mostrou-se também muito optimista relativamente ao projecto e, para além de uma análise de pontos fracos e fortes que fez, sugeriu caminhos para financiamento.
Há já diversos bancos a estudar o investimento, bem como contactos com grandes empresas e consórcios.
Depois da apresentação do projecto em Gavião e perante a sua importância, deverá ser também apresentado em Portalegre, na CIMAA, a convite dos presidentes das Câmaras de Gavião e de Alter, José Pio e Francisco Reis.
Presentes nesta reunião também o presidente de Mação, Vasco Estrela, um representante do Município de Castelo de Vide, agricultores, membros de associações florestais e operadores turísticos.

Projecto «multiusos»

Manuel Campilho historiou o surgimento da ideia, que resulta da necessidade da Lagoalva (em Alpiarça), perante a seca recente ter necessidade de estudar um plano de regadio, tendo solicitado Jorge Froes.
Depois dos primeiros estudos percebeu-se que um pequeno projecto teria custos incomportáveis e que «era preciso olhar de cima«, ou seja analisar o assunto numa perspectiva de escala, pelo que «deixou de ser um projecto agrícola, mas com base agrícola» para passar a ser «um projecto multiusos» que implica «recuperar um rio» com a «possibilidade de regar».
Claro que por enquanto todo o trabalho tem sido pro-bono, pelo que objectivamente estamos perante «um plano», sendo necessário desenvolver o pré-projecto e o projecto, pelo que neste momento se procura o investimento para tal, nomeadamente através de fundos comunitários.
Na prática, com este projecto o País ganha «mais duas vezes 120 kms de costa», anota Manuel Campilho, «com novos fluxos e novas oportunidades», equacionando que se trata de um projecto com um alcance de execução «de 10 a 40 anos, com «um custo grande mas diluído» e que «se pode ir fazendo».

Reabilitar um «rio abandonado»

O engenheiro Jorge Froes salienta que hoje «o Tejo é um rio abandonado», com problemas graves de poluição, de entre outros. De tal modo que «se houver uma cheia como a de 1969 será uma desgraça para o Ribatejo», e «se não se fizer nada estamos piores que há 10 anos» e depois «quando há as desgraças ninguém temculpa».
O especialista falou ainda das alterações climáticas e da actual «recessão agrícola na melhor zona do País», declarando que a questão «a questão não é financeira mas política», ou seja, «há ou não interesse» em reverter a situação.
Assim e enquanto outros vão às instituições ou à Assembleia da República «queixar-se, nós fomos apresentar soluções», como a do regadio que cresce pelas encostas em cotas de 100 a 130 metros, mas é possível mais, sendo que numa primeira perspectiva são irrigados 300 mil hectares com a elevação de água a cotas de 100 a 130 metros a partir de nove açudes dispostos ao longo do rio, com altura flexíveis e que criam como que «uma escaca de água), permitindo a passagem de embarcações com «eclusas baixas», de cerca de quatro metros, isto quando no Douro são 30. Trata-se pois de «uma escada de água navegável».
«E há água para regar isto tudo?», questiona Jorge Froes que explica que o Tejo recebe, dos afluentes em Portugal, 1.800 milhões de m3 de água, que num ano seco a disponibilidade vai até 2.000 milhões, e que de Espanha recebe mais 2.700 milhões, deixando claro que «os espanhóis têm cumprido» e «nós não temos cumprido no Guadiana».
Para o especialista a grande questão é «guardar a água do Inverno para o Verão», estimando que é preciso «guardar 700 milhões de m3 para os meses Junho, Julho e Agosto», anotando ainda que «a EPAL gasta 1,1 milhões de m3 para abastecimento público».
Com a solução dos açudes, que é mais barata, «mantém-se o rio cheio sem inundar», servindo uma população de 3,5 milhões de pessoas.
Quanto ao projecto, «pode começar-se por qualquer lado, dependendo da evolução», sendo ainda possível «a ligação do Tejo ao Sado».
Trata-se pois de «gerir bem o Tejo, que o estado abandonou e entregou exclusivamente à EDP que apenas faz gestão energética», mas com este plano é «possível a instalação de mini-hídricas».
Já a concluir, Jorge Froes sistematiza que «só os açudes permitem fazer o essencial», e o seu custo é na ordem dos 250 milhões de euros, quanto às eclusas «são praticamente muros».
Em termos de custos totaos este projecto «é mais barato que Alqueva» e com «um investimento inicial muito mais baixo» que representa um valor na ordem dos «15 mil euros por hectare», sendo que «uma parte do investimento não é imputável à agricultura» e pode ser faseado até 40 anos.
Já quanto a metas temporais considera que os projectos deviam estar prontos dentro de «dois anos» e podia estar a construir-se «em 2021». E comparando amis uma vez, em Alqueva «foi muito mais demorado». Assim, este projecto é «maior que Alqueva e a água é mais barata», representando um décimo do preço em Espanha, ao mesmo tempo que o terreno custa um quinto do preço em Espanha.
Em termos de avanço do projecto, Jorge Froes advoga que se estude a solução para «avançar no curto prazo», admitindo que isso possa ser feito através de uma empresa pública, , de uma cooperativa, de uma PPP, da EDP ou da EDIA, solução que aponta como vantajosa pelo facto de a empresa de Alqueva possuir a estrutura necessária, o corpo técnico e o know-how para este empreendimento

Póvoa pode regar

Há outra questões complementares como o facto de não ter havido concorrentes para a gestão da "cascata" de Nisa, entre a barragem da Póvoa e o Tejo, pelo que «a EDP mantém a gestão», mas Jorge Froes defende que se pode «fazer uma gestão integrada» de toda a bacia do tejo, com as diversas barragens.
Nesta perspectiva existe uma «mancha regável de até 15 mil hectares na zona» que podia ser irrigada «com um sistema de estações elevatórias idêntico ao de Alqueva, com custos razoáveis até aos 200 metros de elevação»com armazenagem na Póvoa

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