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Cavalo Alter-Real e a Candidatura a Património da Humanidade

hemetério monteiro

Ao ler a notícia sobre a apresentação, no Dia do Município do concelho de Alter do Chão, da intenção de lançar a candidatura do Cavalo Alter-Real, a Património da Humanidade, duas apreciações, não convergentes, me surgiram de imediato:

- Interessante numa perspectiva de proteger e valorizar o Cavalo Alter-Real.

- Pouco viável, devido às grandes exigências dos critérios de selecção da UNESCO.

O galardão, Património Mundial da Humanidade atribuído pela UNESCO, divide-se em Património Material e Património Imaterial. O Património Material agrupa-se, por sua vez, em Património Cultural e Património Natural.

Património  Mundial  da Humanidade é um local (como uma floresta, montanha, lago, ilha, deserto, monumento, construção, complexo ou cidade) definido pela UNESCO, como de importância cultural ou física especial para o mundo.

Consultando a lista por categorias, daquilo que é Património Natural, não identifiquei nenhum animal, classificado, a título individual, com este galardão.

A referência ao mundo animal aparece sempre no âmbito de ecossistemas e habitats com características especiais, sendo um dos principais objectivos da sua classificação, a sua preservação, bem como a protecção dos seres vivos que aí habitam.

Do conjunto de Critérios de Classificação utilizados pela UNESCO, são três (VII, IX e X) os mais direccionados para o património natural:

VII - Conter áreas ou fenómenos naturais de excepcional beleza natural e importância estética.

IX - Ser exemplos relevantes representativos de ocorrências significativas de processos ecológicos e biológicos na evolução e desenvolvimento terrestre, da água, de ecossistemas costeiros e marinhos e de comunidades de plantas e animais.

X - Conter os mais importantes e significantes habitats naturais para conservação da diversidade biológica, incluindo aqueles que contêm espécies ameaçadas de relevante valor universal do ponto de vista da ciência e conservação.

Ao decidir partir para esta análise, assumi e assumo, que não a faria numa perspectiva derrotista, mas apenas cautelosa, tentando alertar para a complexidade e exigência do processo, tal como, aliás, temos constatado com algumas candidaturas de património relevante deste Alentejo.

A intenção pode ser boa, mas as ideias, implícitas à intenção, para serem boas, devem poder ser concretizadas. É certo que entre o surgimento de uma ideia e a sua eventual concretização, normalmente, muito tempo e esforço são exigidos. É necessário amadurecer a ideia, como diz o povo.

Sobre a história do Cavalo Alter Real, um fenótipo do Cavalo Lusitano, como, há alguns anos, ouvi alguém referir, muito se sabe hoje, pois a sua evolução no tempo está bem definida com a criação da coudelaria real, em Alter do Chão (1748). As suas características biológicas, certamente bem estudadas, a par de outras como o porte, o tamanho, as cores, o comportamento, etc., fazem dele um cavalo com aptidão especial para a “Alta Escola”. Não foi, certamente, por acaso que a Escola Portuguesa de Arte Equestre adoptou ou se constituiu com o Cavalo Alter, e que ainda hoje tem como missão conservar e promover o cavalo lusitano de ferro Alter-Real.

Naquela coudelaria nasceram cavalos que fizeram estória, e estavam, lá e estão noutros locais, perpetuados. Daquela coudelaria saíram grupos de éguas que deram origem a várias coudelarias privadas, hoje com grande projecção, nacional e internacional.

A escolha da localização desta coudelaria não foi por acaso. As características da Courela do Arneiro, à época, foram determinantes (qualidade da água e dos pastos). As instalações ainda existentes, mesmo as mais antigas, mostram a importância dada a esta estrutura. A importância e apoio dado pelas diversas Casas Reais, ao longo de mais de um século, bem como o interesse na defesa do cavalo Alter, por personalidades de índole diversa, em períodos mais conturbados da história, fez com que passados mais de 250 anos sobre a data da sua fundação, a Coudelaria de Alter seja, actualmente, «a mais antiga Coudelaria do Mundo a permanecer no mesmo local, mantendo o carácter e a qualidade do cavalo Lusitano Alter-Real e preservando, ao longo dos séculos, a par de um património genético, um património ambiental e arquitectónico de valor considerável».

Foi tudo isto, mais os diversos projectos, orientações e modelos de gestão então aplicados e técnicos conceituados, que permitiram criar o Cavalo Alter-Real, que, em anos mais recentes, muitos tentaram apagar as suas especificidades, considerando-o um Lusitano “normal”, pese embora o mérito de já pertencer a esta raça muito nobre e diga no mundo cavalar, como é o Lusitano.

Mas também a Coudelaria tem sido alvo de diversas tentativas de extinção, no que diz respeito ao modelo existente, desde a sua privatização a outras formas de alienação. E isto reflecte-se na situação que ali encontramos, pese embora a evolução, aparentemente positiva, que se tem verificado nos últimos tempos, pois quem visita hoje aquelas instalações, a sensação com que fica, é a de que está em serviços mínimos.

Perante esta simples, mas certamente controvérsa análise, o que está em causa é saber se a candidatura do Cavalo Alter Real a Património Natural da UNESCO poderá ter alguma viabilidade, e, neste sentido, trabalhar seriamente no projecto.

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