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Olhando o futuro: Qualificações não são Competências

francisco velez roxo

Que na Sociedade Portuguesa temos cada vez mais gente qualificada, pouca gente duvida. Que tenhamos Pessoas cada vez mais Competentes é que é a grande dúvida.

Por isso, aqui fica um contributo para o debate sobre esta "verdade que vale o que vale" e que é muitas vezes vista como um simples elemento da "luta de classes e confronto intergeracional" mas é, do nosso ponto de vista, assunto muito urgente de clarificação porque mal analisada à luz do rigor, da imparcialidade social e das transformações que a Sociedade da Informação e do Conhecimento vieram trazer ao País, maioritariamente nos últimos 15 anos.
Num estudo publicado em 2011 "Portugal 2020 - Antecipação de Necessidades de Qualificações e Competências", coordenado pelo Professor Roberto Carneiro do Centro de Estudos de Povos e Culturas de Expressão Portuguesa (CEPCEP) da Universidade Católica Portuguesa, era referido que «Em Portugal, a prioridade estratégica de elevação das qualificações foi claramente assumida na programação do QREN para o período 2007-2013 e na Agenda do POPH. 4. De facto, a dimensão e a persistência do gap de qualificações de Portugal, face à média europeia, exigem uma estratégia concertada, de médio-longo prazo, de elevação dos níveis de escolaridade dos jovens e de melhoria da eficiência do sistema educativo, apostando também na melhoria das qualificações e das competências da população ativa.»
Ao logo deste excelente trabalho (semiacadémico), várias vezes as palavras "qualificações" e "competências" são utilizadas, mas só um leitor atento e bem preparado, consegue chegar à conclusão critica de que, em especial na Europa, mas muito evidente atualmente em Portugal, que ser qualificado não significa ser necessariamente competente. Daí que convém refletir e atuar cada vez mais sobre o futuro deste tema e a urgência de, independentemente de necessitarmos de mais pessoas qualificadas a diferentes níveis, necessitarmos sobretudo de pessoas mais competentes a vários níveis. A muitos níveis. Andar na escola e aprender são apenas etapas para crescer e subir na vida. Para ser reconhecido como Competente é preciso muito mais que ser Dr. ou Engº . Por exemplo.
Mesmo sendo consensual que os fatores críticos para vencer na vida residem hoje, mais que nunca, nos ativos intangíveis tais como o ir à escola, na qualidade das pessoas na sociedade de trabalho, nos conhecimentos de alunos e professores para além dos exames, do saber fazer dos trabalhadores em geral e das qualificações formais (cursos básicos, médios e superiores com ou sem elevada profissionalização) em particular, há um leque enorme de competências, tais como o domínio do saber de experiência feito e cultivado, da investigação sobre as causas das coisas e das soluções dos problemas, da criatividade e inovação sobre o ser estar e fazer, da aprendizagem permanente, do empreendedorismo, que se tornam muito mais importantes e complementares às qualificações, do que se imagina e pouco se vê.
A Competência para gerir pessoas e sistemas de trabalho, assumir riscos e tomar decisões certas. A competência para gerir bem a capacidade para fabricar bons produtos e para prestar bons de serviços levando à criação de valor na Sociedade, são mais do que simples derivadas das qualificações. São verdadeiros fatores críticos para a mudança olhando o futuro. Porque estamos, aqui sim, no domínio das Competências a sério e não apenas da área do ter um simples curso disto ou daquilo, que é quase uma regra base, mas não condição suficiente para ser reconhecido como Competente.
Existe uma longa tradição de previsão de necessidades de qualificações a nível europeu. E também em Portugal. Ao nível da Competências, na Europa (e em Portugal pior ainda) não conseguimos ainda ter um desenvolvimento de competitividade baseada em Competências como existe em Países como os Estados Unidos, Alemanha ou o Japão. E atendendo à grande predominância de emprego rotineiro (trabalho seria a palavra mais adequada...), da necessidade de novas Organizações para o futuro (mesmo que sejam as velhas renovadas...) com novos postos de trabalho que não sejam apenas "estar no quadro, entrar a horas e sair a horas", tal requererá novas qualificações técnicas (hard skills) é verdade. Mas muito, muito mais, novas competências transversais do tipo soft skills em que predominem competências relacionadas com a visão e conhecimento global do que nos rodeia, do mundo (a globalização por exemplo) , os conhecimento de realidades e mercados nacionais e internacionais, a exigente gestão de pessoas e o trabalho em equipa, que são eminentemente aspetos culturais e interculturais e que, no interior de Portugal e, com muita pena minha, no Distrito de Portalegre em que nasci e vivo de coração e alguma presença física, pouco observo e antevejo melhorias, olhando o futuro.

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