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“Réquiem” para um Projecto

hemetério

Quem não acreditar que já foi marcada a "missa", que não vá lá. Mas que ela já foi anunciada, isso foi!
Basta olhar para a lista dos projectos aprovados, pelo Programa Nacional de Regadio, no fim do ano transacto, e iniciado este mês, para ver como o Empreendimento do Pisão/Crato, morreu!


De acordo com o Governo, o programa, em causa, visa instalar, em todo o País, cerca de 95 mil hectares de regadios, 54 mil de novos regadios e 41 mil correspondentes a modernizações, com um investimento público na ordem dos 534 milhões de euros.
Destes, o Governo aprovou, para já, 22 projectos no valor total de 248 milhões de euros, sendo que os restantes (32) serão para aprovar até ao final deste ano, para que a execução esteja concluída, o mais tardar, em 2022.
E onde está a referência ao Empreendimento de Fins Múltiplos do Pisão/Crato?

gráfico

Comentários para quê?
Basta olhar para o Alentejo, e comparar o distrito de Portalegre com os distritos de Évora e Beja.
E para crer que, no futuro, só muito dificilmente haverá Empreendimento do Pisão/Crato, basta recordar a posição da EU, em relação a novas áreas de regadio, que há muito pouco tempo não queria nem mais um hectare irrigado na Europa.
«O Plano Nacional de Regadios representa uma grande aposta na competitividade da nossa agricultura, constituindo um factor importante para acentuar a sua vocação exportadora e para a criação de riqueza, para além de ser um importante vector de desenvolvimento rural», afirmou o Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, em entrevista à agência Lusa.
Foi também referido, que "a água e o regadio são o mais importante factor de competitividade da nossa agricultura, o melhor instrumento de resiliência contra as consequências das alterações climáticas que se têm vindo a verificar e que, no caso deste ano e do ano passado, são particularmente evidentes com a seca que se tem vindo a observar. [Os regadios] visam também uma maior criação de emprego, contribuindo, desta forma, para a coesão territorial e para a criação de riqueza no nosso território".
Perante tudo isto, e muito mais, parece que o distrito de Portalegre fica fora deste País, ou não possui qualquer potencialidade do ponto de vista hídrico, ou então, ainda, não tem qualquer potencial do ponto de vista agrícola.
Acontece que no Plano de Rega do Alentejo, de 1957, era dito, que o Aproveitamento do Crato-Alter (assim chamado na altura), na ribeira de Seda, integrado no Sistema do Alto Alentejo, era o único aproveitamento com recursos hidráulicos próprios e de certa importância.
Mas sendo, ou pretendendo ser (confesso que ainda não entendi), um empreendimento de fins múltiplos, a componente do abastecimento á população também não tem sido devidamente considerada.
Aliás, em Novembro de 2016, o actual Secretário de Estado do Ambiente, afirmava ao "Alto Alentejo" que a barragem do Pisão não iria ser construída, porque não estava elencada como projecto a apoiar. Mais era dito, que a construção não avançava no âmbito do Ministério do Ambiente, até porque os 50 milhões de euros de investimento teriam de ser repercutidos na tarifa de água, o que seria insustentável.
Curiosamente ou não, em Julho de 2016, o Ministro da Agricultura, em relação à componente agrícola referia que era "completamente incomportável financiar a barragem e os custos da rede de regadio."
Aqui tenho que recordar as mesmas questões que já pus anteriormente:
Terá caído alguma maldição sobre esta obra?
Será que a obra não é de relevante interesse para o distrito?
Será que a obra não é suficientemente importante?
Será que o distrito de Portalegre e as suas gentes não a merecem?
Será que as entidades regionais e locais e os agentes representantes do distrito junto do poder central não tiveram a força e o engenho para o conseguir?
Será porque o distrito de Portalegre é um distrito com pouca população, e sem interesse?
Será devido ao pouco, aparente, interesse dos agentes económicos da Região?
Será porque a defesa dos interesses de regiões, que já beneficiam desta água, é maior que a defesa dos interesses do distrito de Portalegre?
Porém, perante toda esta situação, ao ler o último número do "Alto Alentejo" tive uma "agradável" surpresa. Afinal, Portalegre distrito está muito interessado no projecto deste empreendimento, ao ponto de se terem reunido todas as forças vivas (Deputados da Assembleia da República, Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, Direcção Regional de Agricultura do Alentejo, Autarcas, e representantes das Associações de Agricultores e de Produtores Agrícolas).
Só é pena, que só agora, depois de apresentado o Programa Nacional de Regadios, venham reivindicar, em conjunto, o empreendimento, quando, em 2016, já era mais que evidente estar fora de quaisquer planos ou estratégias do Governo.

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