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Um “Fofinho” perigoso!?

diogo julio

Os incêndios que nos assolaram e as suas nefastas consequências estão ainda bem vivas no imaginário de todos e drasticamente gravadas no coração e na mente de quantos as sentiram no corpo e nos pertences próprios e dos que lhe são próximos.


Em dois momentos, separados por apenas quatro meses, em que às condições climatéricas adversas se aliaram mãos negligentes e/ou criminosas, o país sofreu mais de cem mortes, centenas de feridos e muitos milhares de hectares de terrenos e outros bens totalmente ardidos.
Sou dos que entendem que o Estado falhou na prevenção, no combate e no socorro às populações afectadas. Sou dos primeiros a compreender a aflição dos atingidos, os esforços titânicos de quem combatia o fogo e o desespero e a revolta dos que se sentiam sozinhos num combate tão desigual. Mas essa situação não me permite pactuar com os muitos que não hesitaram em aproveitar a dor dos que os rodeavam para intensificarem os ataques à forma governativa que os afastou do poder.
Quer um PSD à deriva, ainda liderado por personalidades incapazes de perceberem que o seu tempo acabou, quer um CDS liderado por uma "dondoca" incapaz de perceber o país onde vive e as suas próprias responsabilidades na tragédia que se estendia por todo o interior que ela tanto ostracizara, apressaram-se a cavalgar a onda do que pensaram ser o seu momento de vingança.
Com esse espírito de vingança utilizaram tudo o que tinham disponível: os escribas disfarçados de jornalistas, os comentadores que se multiplicam em tudo o que é comunicação social nacional, os correligionários que no terreno "descobriam" suicídios, aviões despenhados (mas não "descobriam" o local onde tinham colocado alguns milhões que os portugueses haviam canalizado para apoio às vitimas) e por fim os mais cândidos dos seus militantes para, escondidos por detrás dos telemóveis, convocarem manifestações silenciosas que a exemplo de outra muito famosa organizada por si em 74, tinham como objetivo último derrubar o governo ou, no mínimo, derrotar a solução que o mantém.
Nada disso, confesso, me surpreendeu.
Surpreendido fiquei com a postura assumida pelo Presidente da Republica e com a decisão tomada de antecipar-se à reunião extraordinária já agendada pelo governo para, a partir dum concelho "queimado" e rodeado de vítimas dos incêndios, disparar sobre o governo com armamento pesado.
Disse inverdades ou sugeriu medidas incorretas? Claro que não!
Então porquê a minha surpresa? Simplesmente porque as medidas decididas pelo governo no passado sábado são, como o próprio o confirmou, corretas e de acordo com o que ele entende como necessárias.
Tratava-se tão só de garantir a demissão da ministra como era reclamado pela direita? Mas ele não conhecia que a sua manutenção estava a prazo?
Era tudo o resto que o governo veio depois a decidir? Mas alguém acredita que não conhecia os documentos que iriam ser levados a Conselho de Ministros?
Eu não acredito!
Restam-me duas opções. Marcelo fez o que fez para se afirmar sozinho o único político simpático e bom e continuar o seu percurso de rei das selfies e dos beijinhos? Ou "arrumado" Passos Coelho (que recorde-se não o queria na Presidência da República) entende que é o tempo de se assumir como oposição ao governo e à solução politica que o garante?
Em suma, vamos ter o Marcelo "fofinho" ou um continuador do Cavaco mas muito mais inteligente e interventivo e portanto ...muito "perigoso" para os caminhos alternativos que entendo se estão a construir?
Aguardemos!

Texto publicado na edição nº 546 do Jornal Alto Alentejo, publicada no dia 25 de Outubro de 2017

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