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Bruno Paixão: «Sinto que nasci para isto e amo o desporto»

bruno paixão

Nasceu 30 de Agosto de 1984, em Alcáçovas, mas foi em Portalegre, onde chegou com apenas um ano e meio, que cresceu e ainda hoje reside, colocando no mapa a capital de distrito do Alto Alentejo. Numa cidade e região carregadas de bons atletas, bons eventos desportivos e de gente apaixonada pelo atletismo, Bruno Paixão é hoje uma inspiração, uma prova de que, com talento, tenacidade, garra e dedicação, é possível quebrar as barreiras entre o Interior e o Litoral, e estar entre os melhores do País.


Contrariamente a muitas crianças, quer da sua geração quer da actualidade, Bruno começou a correr apenas aos 12 anos. Aliás, a sua primeira experiência foi no btt, mas o talento que lhe é inato foi rapidamente reconhecido e, ainda na escola, foi convidado a experimentar a modalidade na qual hoje se destaca. Fez alguns bons resultados, conquistou pódios, mas era difícil evidenciar-se, uma vez que a sua geração está repleta de bons atletas. Fez alguns corta-matos, foi apurado para os distritais...o bichinho começava finalmente a despertar e o jovem Bruno percebeu que, caso treinasse afincadamente, conseguiria voar mais alto.
Conheceu João Carlos Correia, por quem não esconde a sua admiração, e começou finalmente a vestir as cores do Atletismo Clube de Portalegre (ACP), um momento decisivo e que marcará para sempre a vida de Bruno Paixão. Foi então implementada uma metodologia de treino mais regular e intensa, adaptada às competições e capacidades do atleta, uma mudança que catapultou Bruno Paixão para mais e melhores resultados nos corta-matos, na estrada e até na pista.
«Foi nessa altura que começou esta sensação que ainda hoje tenho de querer sempre mais. Incentivado pelo João Carlos, que sempre me ajudou, não só como atleta, mas até na minha vida pessoal, segui o caminho certo e é por isso que sempre o tive como uma referência», recorda.
Ainda muito jovem começou a trabalhar, na freguesia de Alagoa, no Café Restaurante Hilário, fez inclusivamente uma formação na área da hotelaria mas, entretanto, foi chamado para cumprir serviço militar, uma fase da sua vida que também contribuiu para a sua evolução enquanto homem e atleta.
«Ao chegar a Santa Margarida agarrei-me muito ao atletismo. Em 2005 até bati o recorde da Corrida da Avenida, que ainda é meu. A prova realizava-se quatro vezes por ano e eu ganhei sempre. Isso fez com que fosse sempre convocado para as provas militares, nas quais obtive sempre bons resultados, que me valeram também louvores por mérito desportivo e até pelo cumprimento de funções militares», conta.
Ainda durante a tropa, Bruno Paixão acabou por ser o único militar português a representar o País na Bélgica, numa competição de cross. Foi o terceiro melhor português e o 62º a nível mundial. «Dedicava-me imenso. Ao longo da minha vida dei sempre tudo para ser o melhor naquilo que faço e na tropa não foi diferente», acrescenta.
Já na fase final da sua vida militar, Bruno fez um curso de cabos no Entroncamento e esteve ainda durante um ano em Estremoz, onde continuou a ganhar todas as provas em que participava e sempre a representar Portalegre, envergando as cores do ACP. «Chamavam-me o papa léguas nessa altura. Cheguei a fazer 87 provas num ano, entre meias-maratonas, corta-matos, São Silvestres...ia a todas», brinca.
Na época 2012/2013, Bruno Paixão deslocou-se a Macau para a Maratona, conquistando um 16º lugar na classificação geral. Os bons resultados que conquistava a nível nacional e o potencial que revelava levaram o Benaventense a apresentar-lhe uma proposta que não recusou. Juntamente com a nova equipa, conquistou o terceiro lugar do pódio no Campeonato Nacional de Estrada e passou a estar entre os 20 melhores atletas do País, quer em competições de estrada quer de corta-mato. Os bons resultados continuaram até 2015, quando é convidado para se juntar à equipa que ainda hoje representa, o Beja Atlético Clube (BAC). E foi já com estas novas cores que se mentalizou que queria e iria estar entre os 10 melhores do País, independentemente de saber que teria de se bater com atletas profissionais. «Em 2016 voltei a Macau, à Maratona, para ficar em 10º lugar, com 2h30 (em 42km). Eu corro por prazer, mas também para estar entre os melhores, para provar que um atleta amador, que vive e treina no Interior do País, também pode chegar ao patamar de um profissional», afirma.

«Melhorar tempos, estar ao lado dos melhores, ganhar aos melhores...é isso que me dá força e motivação para continuar a trabalhar diariamente»

Na sequência de muito trabalho, dedicação e até algumas privações, Bruno Paixão consegue estar ao nível que sempre desejou – entre os melhores, contando para isso com o apoio do seu clube e do seu treinador – ele próprio, uma vez que continua a programar e executar tudo sozinho.
«Planeio tudo, desde o treino à alimentação», garante o Campeão Nacional de Maratona, título que conquistou a 15 de Outubro, depois de concluir a quinta edição Maratona de Lisboa, com um tempo de 2 horas 26 minutos e 24 segundos.
Em Março do ano transacto, e por sentir que conseguiria alcançar melhores resultados caso se dedicasse a 100 por cento ao atletismo, Bruno Paixão pede licença sem vencimento à Associação de Amigos da Terceira Idade de Fortios, o Lar de São Domingos, em Fortios, freguesia onde reside. O pedido foi aceite e Bruno começou a viver inteiramente para o atletismo, algo que tem sido possível uma vez que o clube premeia financeiramente as suas conquistas e há inclusivamente várias provas cujo pódio representa igualmente prémios monetários. Isto permite que um atleta amador e agora "desempregado" consiga subsistir e dedicar-se à sua grande paixão.
Com duas décadas de atletismo, nas quais conseguiu por 15 vezes sagrar-se Campeão do Alentejo, Bruno Paixão vive um momento único na sua carreira desportiva e diz sentir-se feliz e motivado para ir ainda mais longe. Não esquece quem sempre o apoiou, desde logo o ACP, onde ainda hoje tem vários amigos, o seu actual clube, o BAC, o seu massagista e amigo, Luís Busca, que diz ter um papel decisivo na sua performance e recuperação. E a verdade é que Bruno bem precisa desse contributo. Só em Dezembro participou e ganhou nove Corridas de São Silvestre. Uns dias está em Portugal, outros em Espanha, em provas muito competitivas e que lhe exigem sempre o seu melhor.
«É um trabalho minucioso. Tenho de preparar provas, competir e recuperar, sempre a ouvir e sentir o corpo, e felizmente ele diz-me sempre que sou capaz e que posso continuar. Nunca foi fácil para mim seguir treinos definidos por treinadores e, como me conheço bem, fui testando e aplicando. Fiz de mim cobaia dos meus treinos e, felizmente, resultou. Eu leio, vejo vídeos, aconselho-me, ouço quem tem experiência, mas no final acabo por analisar o que é melhor para mim», assume.
A aposta tem sido um sucesso e a verdade é que 2017 foi um ano de sonho para o atleta portalegrense. No Campeonato Nacional de Corta-Mato Curto conquistou o 8º lugar, venceu a Maratona de Badajoz, foi o terceiro melhor português na Meia Maratona de Lisboa, sagrou-se novamente Campeão do Alentejo e, pela primeira vez, Campeão Nacional de Maratona, conquistando o sétimo lugar numa prova na qual foi o primeiro português a cruzar a meta. No total, em 2017, Bruno Paixão venceu meia centena de provas, num total de 76. Das 26 que não ganhou, em 14 conquistou o segundo lugar e nas restantes conquistou igualmente bons resultados. Em duas décadas de atletismo, Bruno só por duas vezes desistiu.
E como consegue o Bruno treinar, simultaneamente para provas tão diferentes como são o corta-mato (curto) e a Maratona?! Bem, para além do treino específico, «o meu corpo e a minha cabeça sabem focar-se para as características das provas», responde, esclarecendo ainda que se prepara prova a prova, mas «sempre de olho no que aí vem a seguir».
Sempre de sorriso no rosto, Bruno não esconde que nem tudo é um mar de rosas. A alimentação, por exemplo, exige imensas regras, também elas impostas pelo próprio. «Tem que ser saudável, adaptada e regrada. Um bom pequeno almoço e muita água, saladas», mas «sem passar fome». Como o peso é importante, Bruno procura manter-se nos 58,5kg que soma actualmente, e garante que não é fácil. O descanso é igualmente importante, assim como uma boa suplementação e hidratação, uma orientação que procura seguir à risca para poder continuar a treinar, até porque o faz mais do que uma vez por dia, alternando entre corrida, bicicleta, natação e reforço muscular.
Para 2018 os objectivos estão praticamente traçados e incluem mais uma vez o Campeonato do Alentejo, o Campeonato Nacional de Estrada - que sonha ganhar - os Campeonatos Nacionais de Corta-Mato, o Longo e o Curto, que se realiza já este fim de semana em Albufeira, e Meia Maratona de Lisboa, a 11 de Março, na qual ambiciona ser o melhor português.
Para isso conta não só com os treinos, mas também com o apoio de quem o segue e embala nesta missão. «Sinto-me acarinhado em Portalegre, na cidade e na região, mas também em Espanha. Sou reservado e focado, mas é óbvio que gosto muito do incentivo que as pessoas me dão. É por isso que, enquanto pessoa e atleta, não tenho fases más...procuro ver sempre o copo meio cheio», revela.
Em relação ao futuro, Bruno prefere não pensar por quanto tempo irá conseguir manter-se a este nível, mas sim debater o que ainda poderá vir a conquistar. Quer investir na sua formação como treinador, pois sente que tem vocação e que pode dar o seu contributo, e não esconde que já imaginou por várias vezes como seria representar Benfica ou Sporting, mas a sua metodologia de treino, os seus sonhos e objectivos, colocam muitas interrogações sobre se de facto isso seria o melhor para o seu futuro. Gostava sim de representar a Selecção Nacional, ser Campeão Nacional de Meia-Maratona, melhorar as suas marcas pessoais, ir aos Europeus de Meia-Maratona e até mesmo aos Jogos Olímpicos. Objectivos ambiciosos de um "amador" que é hoje um embaixador de Portalegre e do Alto Alentejo e que está entre os melhores 10 atletas do País.

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