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Morreu o Agostinho

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Vítima de atropelamento cerca das 21h de sexta-feira, na EN244, junto ao Monte da Tília, em Salteiros – Ponte de Sor, faleceu António Agostinho, de 63 anos.

Estes são os dados oficiais, mas o Agostinho tinha-nos dito, há cerca de 10 anos, que contava na altura 57. Vivia nessa época com a mãe, Leonor Guila, que não sabia a idade mas que era viúva «há muitos anos» de António Fernandes e afirmava ter nascido em Portalegre, como o Agostinho tinha nascido em Nisa.
Reportámos há 10 anos, então no Fonte Nova, a forma de viver desta família cigana, mãe e filho, o que "deu brado" mas não teve consequências, pois as entidades públicas só se preocupam com burocracia e como o Agostinho e a mãe não sabiam tratar de papéis, não ameaçavam ninguém nem eram do tempo dos subsídios, nunca foram ajudados a não ser pela caridade de toda a gente que os conhecia desde Tolosa até Ponte de Sor – Montargil.
Pode mesmo dizer-se que o Agostinho era estimado, pelo menos no sentido em que toda a gente o ajudava. «Têm pena da gente e dão-nos alguma coisinha», confessou-nos ele quando explicava que a sua circulação habitual era por Castelo Cernado (Comenda), Gavião (onde pernoitavam habitualmente junto à rotunda do Cadafaz), Vale de Gaviões e por Ponte de Sor.
O Agostinho contou-nos na altura um pouco do percurso habitual e em que incluía muitas vezes uma irmã que parte do tempo vivia com outros familiares. E mais tarde vimos esse conjunto aumentado com pelo menos mais uma pessoa.
O Agostinho, como a mãe, nunca viveu debaixo de telha, por casa conhecia o campo e as estradas, por refeição alguns restos que lhe davam, e por cama e protecção improvisava uma barraca. E por transporte uma carroça e um burro que era também companheiro de infortúnio.
Entretanto soubemos que a mãe morreu e está sepultada em Gavião, onde também o Agostinho recebeu sepultura na segunda-feira, junto de familiares, deixando assim de sofrer o «muito frio» e o muito calor».
Com a morte anunciada do Agostinho desaparece talvez o último cigano nómada da nossa região e que dava testemunho de um tempo e de uma forma de viver que já não são usuais. Com a sua morte fecha-se um tempo que não volta mais. Paz à sua alma.

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