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A Coudelaria tem futuro

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Um Governo, três ministros, uma sala cheia e uma intenção que pode mudar o rumo do Alto Alentejo: que a Coudelaria seja finalmente o pólo de atracção, emprego, promoção e desenvolvimento que Alter, a região e o País desejam e necessitam. A iniciativa foi do PS, que trouxe a Alter os ministros da Agricultura, da Economia, e do Planeamento e Infraestruturas para devolver, 20 anos depois, «o sonho da Coudelaria».

 > Em Fevereiro de 2012, o nosso jornal realizou no Castelo um dos debates do ciclo "Alto Alentejo tem futuro", subordinado ao tema da Coudelaria. Agora, mais de quatro anos depois, e com o Jornal Alto Alentejo como único órgão de comunicação da nossa região a estar presente, parece que a Coudelaria tem finalmente futuro. Mais do que uma sessão de esclarecimento ou um debate, o PS quis assumir um compromisso com Alter e a região. Sentou à mesa o futuro candidato socialista à Câmara Municipal, Francisco Reis, que moderou um colóquio que contou com a presença do deputado e presidente da distrital do PS, Luís Testa, e os ministros da Agricultura, Capoulas Santos, da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques que, na última legislatura, foi o deputado eleito pelo PS no Círculo de Portalegre. 

O resultado foi um Pavilhão Multiusos completamente cheio, com mais de 250 pessoas, e entre as quais o presidente da Entidade Regional de Turismo, Ceia da Silva, os presidentes dos Municípios de Alter, Campo Maior, Crato, Gavião, Nisa, Ponte de Sor, Sousel, o vice-presidente da Câmara de Elvas, entre outros autarcas e ex-autarcas, bem como representantes de vários partidos políticos, quer de Alter quer de toda a região. O projecto da Coudelaria quer-se regional e a região deu provas disso, aderindo em peso a uma iniciativa que, apesar de partidária, foi sinónimo de vontade política por parte do Governo em mudar o rumo do destino da mais velha coudelaria do mundo.
Francisco Reis abriu orgulhosamente a sessão, dando claramente início à sua campanha às autárquicas de 2017. O vereador socialista na Câmara de Alter começou por dizer que esta sessão surgiu para «colocar a Coudelaria no lugar que ela merece, uma posição de charneira no contexto regional, nacional e internacional». Confiante no compromisso que os ministros iriam assumir minutos depois, Francisco Reis defendeu que Alter e a Coudelaria necessitam de uma aposta que «assente numa pujante dinâmica empresarial, associada a um forte desenvolvimento económico, que lhe permita desempenhar um papel de relevo em termos de emprego, cultura e economia».

«A Coudelaria de Alter é das coisas que mais une este distrito»

«Hoje faz-se história em Alter», defendeu, passando a palavra a um rosto bem conhecido da região, Pedro Marques, que lidera agora o Ministério do Planeamento e Infraestruturas, mas não esquece o período em que representou o Alto Alentejo no Parlamento.
«A Coudelaria de Alter é das coisas que mais une este distrito», começou por dizer, antes de começar a apresentar «a visão» do PS e do Governo para o futuro da Coudelaria.
De acordo com Pedro Marques, a presença dos três ministros em Alter deve-se ao facto de considerarem que «a Coudelaria precisa de mais futuro».
«Teve pontos muito altos, mas também muito difíceis e de grande risco para o património histórico que é o cavalo de Alter, e consideramos que, mesmo que a componente agrícola e pecuária seja da responsabilidade da Companhia das Lezírias, é possível fazer muito mais em benefício da região, fazendo com que este grande património que é do Alentejo e do País seja traduzido em emprego e bem-estar para as pessoas», declarou, acrescentando que as componentes do turismo, da economia e do emprego «têm estado afastadas» e que é com estas que o Governo se quer comprometer.
O ministro do Planeamento e Infraestruturas foi o primeiro a assumir um compromisso e garantiu que o Governo «está preparado para investir» e «convocar investimento privado».
«Vamos fazer este projecto acontecer, estamos aqui para dar a cara e implementar este projecto», sublinhou.

Com a razão...e o coração

Com 40 anos de «convívio com a Coudelaria», Capoulas Santos foi o segundo ministro a usar da palavra. Recordou o ano de 1977, quando chegou ao Ministério da Agricultura, e o momento, já em 1995, em que evitou a entrega da Coudelaria à Associação de Criadores do Puro Sangue Lusitano.
«Quando cheguei ao Governo em 1995, como secretário de Estado da Agricultura, havia um despacho assinado pelo ministro que nos tinha precedido e que propunha entregar a Coudelaria à Associação de Criadores do Puro Sangue Lusitano, presidido por Ferraz da Costa, e atribuir-lhe 400 mil contos (dois milhões de euros) por ano para tomar conta dela», revela, acrescentando que conseguiu, juntamente com o então ministro, Gomes da Silva, travar este processo e iniciar «um processo de requalificação da Coudelaria para transformá-la num pólo de desenvolvimento, não apenas em torno da criação do Cavalo, mas valorizando um conjunto de outras actividades que fossem geradoras de emprego, riqueza e desenvolvimento».
Capoulas Santos revelou ainda que, nos anos seguintes e com o PS no Governo, foram investidos «mais de 20 milhões de euros na Coudelaria».
«Procurou-se criar o Museu, a Escola Profissional, o Laboratório, e a requalificação do património. Ficou uma coisa por cumprir, a instalação de uma unidade hoteleira de cinco estrelas para valorizar a componente turística na Coudelaria. Entretanto o PS saiu do Governo e depois, quando voltou, convenhamos que também não se portou da melhor maneira», observou o ministro, anunciando que a actividade turística será um dos pilares do novo projecto do Governo e que uma unidade hoteleira está também contemplada, cumprindo o desígnio de há duas décadas.
A execução, de acordo com Capoulas Santos, será a partir de Janeiro do próximo ano e será concertada entre vários Ministérios, uma vez que «há outras valias e fontes de financiamento para potenciar este bem inestimável que este Governo trata não apenas com a razão, mas também com o coração».
Caldeira Cabral iniciou esta primeira ronda, à qual se sucedeu um debate com várias intervenções, incluindo as de Joviano Vitorino, António Hemetério, Ceia da Silva, Correia da Luz, Luís Cané, Romão Trindade, Luís Marques, Isabel Cristina Carvalho e Cecília Rosalino.
Manuel Caldeira Cabral falou do programa "Revive" para defender que o projecto que o Governo tem para a Coudelaria «não é desgarrado» e se insere na valorização que o Executivo está a promover no património histórico para que este seja concessionado a privados.
De acordo com o ministro da Economia, há 30 edifícios históricos no País (seis no Interior) que estão a ser preparados para ser lançados a concurso, e esse trabalho será também feito em Alter.
«O projecto que estamos a fazer passa por uma concessão para um hotel, em que o investimento será privado, mas passa por mais do que isso. Passa por um compromisso do Turismo de Portugal para investimento na renovação das infraestruturas que estão à volta do que será o hotel. Já percebemos que há interesse de investidores privados, que foram sondados, e o Turismo de Portugal vai investir não só na requalificação das infraestruturas, mas também na animação da própria Coudelaria, pelo menos durante oito anos», anunciou, acrescentando que o Turismo de Portugal irá também disponibilizar crédito para o projecto do futuro hotel.

O ministro da Economia disse ainda que, à semelhança do que aconteceu com o golfe e o surf, também o turismo equestre irá ter um papel determinante em termos turísticos. Na sua opinião, trata-se de uma área com muito potencial e com capacidade para «actividades muito lucrativas» cujo impacto «transcende a Coudelaria e Alter».
Do público vieram elogios à iniciativa e, acima de tudo ao compromisso do Governo, e apenas Luís Cané se mostrou céptico em relação às intenções dos socialistas, lamentando que, em véspera de autárquicas, esteja «mais uma vez, a velhinha Coudelaria de Alter a ser vítima de bullying».
Também Joviano Vitorino apelou a que não se faça campanha em torno da Coudelaria, mas mostrou-se feliz com a atitude do Governo. Joviano Vitorino recordou ainda alguns momentos mais delicados, em que «teve de ser o Município a assumir os vencimentos dos funcionários da Coudelaria».
Ceia da Silva apaziguou a sessão, destacando o «exemplo de partilha, cooperação e parceria entre os Ministérios», uma atitude que considerou «fundamental» para Alter, mas também para a região e o País. porque um país só se desenvolve se houver esta dinâmica colectiva.
O presidente da Entidade Regional de Turismo elogiou Luís Testa, mas aplaudiu também a presença dos autarcas, que «vieram mostrar que estão aqui a lutar pelo desenvolvimento integrado da região».
Depois de salientar ainda a importância do Revive, Ceia da Silva sublinhou que o papel dos privados «é essencial» e que a promoção do turismo equestre «é fundamental».
Ainda no público, Romão Trindade colocou o Pisão na discussão, Luís Marques questionou sobre uma hipotética candidatura da Coudelaria a Património Mundial e ainda sobre a exploração das corridas de cavalos, e Isabel Cristina Carvalho citou Camilo Castelo Branco para dizer que «o tempo chega sempre, mas há casos em que não chega a tempo», o que, na sua opinião, aconteceu com a Coudelaria e com o distrito».
Também Cecília Rosalino aproveitou para usar da palavra e defendeu uma maior estratégia de comunicação e promoção de Alter, do seu Cavalo e da sua Coudelaria, para que quem visita, por exemplo, o Museu dos Coches, saiba que as montadas reais eram puxadas por cavalos de Alter.
Já perto do fim, os ministros tiveram mais uma ronda para responder a algumas questões.
Pedro Marques defendeu que este projecto «é uma oportunidade ganha» e que o PS vai, 20 anos depois, «cumprir Alter».
«Para quem não quis compreender, nós vamos trazer a tal dimensão que não conseguimos completar: a dimensão da projecção e animação turística, a dimensão de uma unidade hoteleira no espaço da Coudelaria, da reabilitação do património da Coudelaria, e a criação de um projecto de animação cultural e turística que traga as pessoas ao concelho e à região», declarou o ministro.
Relativamente à comunicação, Pedro Marques, Capoulas Santos e Caldeira Cabral disseram ainda que a Escola Portuguesa de Arte Equestre não está em Alter «porque esta escola, o Palácio de Queluz e o Museu dos Coches estão onde estão as pessoas» e «é essa a montra e o chamariz para trazer as pessoas a Alter».
A sessão foi encerrada com Luís Testa a dizer que «o PS inaugurou com este Governo uma nova forma de fazer política e colocá-la em discussão onde ela deve estar, junto das pessoas».
«Quando o PS decide trazer três ministros do actual Governo a Alter fá-lo porque só assim faz sentido governar. Apesar das dificuldades, muitas delas por superar, fazemos política cumprindo a esperança que prometemos no ano transacto. Estamos em Alter porque temos a certeza que temos uma resposta para parte dos problemas que se vivem aqui e cuja solução é também importante para a região e o País», afirmou o deputado, salientando que «a política não é só dos políticos, é sobretudo daqueles que beneficiam da sua acção».

 

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